21 de jun de 2012

Ofendidos por que?



E não detesto os que se revoltam contra ti? – Davi

Jesus não quis que seus discípulos fossem tirados do mundo e disse que temos a responsabilidade de ser luz, sal e não tomar a forma, não abraçar os padrões ditados pelo mundo. A vida por aqui é difícil, cheia de tensão pelos constantes conflitos morais vividos diariamente, lutas internas, lutas contra o Diabo tentador e lutas contra aqueles que se opõem declaradamente contra Deus. 

Dentro deste processo de tensão {viver aqui com os princípios do céu}, o cristão é responsável por desenvolver um senso critico não dirigido pelos seus próprios padrões, deve pensar com outra mente, a mente de Jesus como registra Paulo {1Co2.16}, e é claro, ele vai incomodar e ser incomodado.
Se você conhece um pouco da história do Rei Davi, vai lembrar que muitas coisas chateavam o jovem pastor, principalmente quando Deus era ofendido. O Salmo 139 nos dá algumas boas direções sobre como devemos lidar com essas situações.

Vejamos a estrutura do Salmo 139:

1.    Afirmação – Deus sonda e conhece
2.    O saber infinito de Deus {Sl 139.1-6 – Onisciência}, a sua presença em todo e qualquer lugar {Sl 139.7-12 – Onipresença} e todo o seu maravilhoso poder {Sl 139. 13-18 – Onipotência}.
3.    A motivação, o incômodo do salmista (139.19-22): Sua indignação era contra aqueles que são ímpios, são assassinos, falam maldosamente de Deus, são rebeldes contra ele, eles odeiam a Deus, são revoltados contra Deus.
4.    Pedido que Deus o sonde e não se ofenda com seu procedimento.

O que podemos aprender:
É possível e justo me sentir ofendido? Sim, se você usa a bíblia como lente para ver, criticar e viver a realidade certamente vai se incomodar com muita coisa. A crítica a tudo, porém, deve se mostrar sujeita à moral e princípios divinos e então ser manifesta, declarada; por fim é bom ressaltar que a critica não é desqualificada pela limitação de quem a faz, pois é um ideal e padrão superior apontado por Deus para toda criatura, uma régua para todos.

Quanto à motivação: todo cristão deve cuidar para não tomar ofensas como pessoais porque quanto mais o padrão de Deus guiar nosso viver, mais ofendidos nos sentiremos. O exercício do salmista é a direção a ser tomada antes de agirmos nas nossas esferas de ação/responsabilidade – Pais, filhos, maridos, esposas, professores, estudantes, governantes, servos, cidadãos, etc.
Lembre-se que Deus tudo sabe, tudo pode, está em todo lugar e tem o poder e a bondade de nos criticar, sondar e provar antes de fazermos qualquer coisa, pois se a motivação estiver em nós, quem estará ofendendo a Deus seremos nós mesmos como o verso 24 do salmo mostra – “Vê se em minha conduta algo te ofende...”

Quanto ao alvo: o exercício é para toda área de ação do crente, desde sua ação com seus filhos à sua ação mais expandida possível – a sociedade.  Para cada uma delas haverá um desenvolvimento especifico conforme as permissões concedidas por Deus. Sua ação com um filho e com um amigo é diferente, assim como com sua esposa e seu chefe, com um conhecido e com um desconhecido, então ande conforme as limitações, mas exerça a sua responsabilidade em cada uma delas, isso é um mandamento.

Ressalto que é possível encontrar pessoas más, inimigos conscientes de Deus e precisamos conviver com eles articulando e argumentando sem deixar de amá-los, afinal amar é nosso princípio maior mas não é definido pela omissão e covardia. Nesses casos também agiremos dentro das nossas esferas de responsabilidades, debatendo, corrigindo até onde pudermos, quando os níveis de correção não estiverem ao nosso alcance, em casos extremos de inimizade, além do amor, misericórdia, critica, entregamos às outras esferas a ação. Não saímos matando aqueles que são contrários a nós. Lembre que Davi vivia num outro contexto e tinha ferramentas para agir contra os inimigos declarados de Deus conforme essa realidade, nós temos leis, governantes, que podem servir para aqueles que são rebeldes contumazes.

Caso ainda assim não sejam armas suficientes, sempre bom lembrar que a ofensa é contra Deus e que em última instância, Deus mesmo é o vingador justo.

Exemplos: As atitudes de Jesus e dos apóstolos com seus inimigos nos ajudam. Jesus criticou duramente aos líderes religiosos, certa vez disse que eles eram filhos do Diabo; no inicio do ministério enfrentou a Satanás com argumentos bíblicos impressionantes, bagunçou chicoteando as vendas corruptas no templo. Paulo escreveu a Tito que era preciso fazer calar o ensino errado dos judaizantes, aos Gálatas ele deseja que os perturbadores que exigiam a circuncisão aos cristãos se mutilassem tamanha bobagem ensinavam e para Timoteo escreveu duas vezes sobre um tal Alexandre(não se sabe se é o mesmo nas duas passagens e em At 19.33-34) que lhe causou muitos males, entregando a Satanás para que não blasfemasse e que Deus retribuísse as maldades.

Pois bem, ai está um bom exercício para sujeitarmos nosso coração, nossos conceitos.
O Senhor nos ajude a fazer corretamente.

Ref: Sl 139; Sl 19.12-13; Jo 7.24; 1Sm 17.45; 1Rs 15.5 Mt 12.34; Mt 23.22-33; 1Tm 1.20; 2Tm 4.14


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