19 de nov de 2015

Companhia

E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” - Mt 27.20b

Desde o início do mundo, Deus fez questão de mostrar que o ser humano não foi feito para viver só. Ao ver a necessidade de Adão em ter uma companheira que lhe fosse igual, destacou a importância da companhia para a realidade humana – “Não é bom que o homem esteja só” – Gn 2.18. E não somente isso, ao sermos cuidadosos, perceberemos que o homem sempre teve companhia, e uma companhia especial, o próprio Deus.
Quando Adão e Eva desobedeceram a Deus desejando a independência, negaram àquele que cuidava deles, que os havia feito um para o outro e também os feito para Si. Aparentemente tudo estava arruinado, pois Deus expulsou o homem do jardim para que não comesse da árvore da vida e assim perpetuasse sua condição pecaminosa, eternizasse a solidão.
Ali mesmo no jardim da separação, Deus prometeu que providenciaria o conserto da história, destruindo Satanás e estabeleceria novamente a ordem, a harmonia entre o Criador e a criatura, mas não sem pagar alto custo.
A história seguiu e o ponto alto se dá quando o próprio Deus envia seu Filho para consertar as coisas. Uma vida de obediência, de entrega, de serviço, de abnegação e obediência para livrar os homens do ciclo: destruindo e sendo destruídos. Jesus veio e cumpriu todas as justas exigências do resgate, para que o relacionamento se restabelecesse. Ele sempre foi o mais interessado, a ponto de dar a vida por isso como um maldito, sem ter erro algum.
Sua vitória foi esplêndida. Humilhou a morte, que atormenta ao homem, estabeleceu homens com seus ensinamentos para que multiplicassem e espalhassem, como um vírus, a boa mensagem, enfrentando governos, reis, líderes religiosos, seitas enganosas, tradicionalismos mortais e ao se despedir, surpreendeu a qualquer fiel dedicado dizendo: E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” Não bastasse tudo o que havia vivido e feito, morrendo e ressurgindo, Jesus lhes garantiu companhia eterna! Que Deus cuidadoso!
Hoje começamos uma pequena série sobre as Sete Igrejas do Apocalipse. Sim, um livro cheio de significados “misteriosos” e que deixa muitos cristãos até com medo, confusos, é uma das maiores provas que Deus Pai, o seu Santo Espírito e Jesus estão, hoje, empenhados e presentes no meio do seu povo.
A mensagem da revelação é para a igreja de todo tempo e de todo tipo. Algumas serão alertadas, elogiadas, censuradas em suas práticas e orientadas a abandoná-las, mas preste bem atenção nesses dias de estudo para perceber que o livro do Apocalipse vai destacar que Jesus está sempre com sua igreja.
Alegre-se, você nunca estará sozinho! Nunca!


Pb. Samir Mesquita de Moraes

1 de out de 2015

“Todos estão se dirigindo a ele.”


Creio que todo cristão viva um pequeno dilema: “o destaque de si mesmo” X “o destaque do seu Senhor”. Veja, por favor, com cuidado quando digo “o destaque de si mesmo”, pois o que quero dizer é que não há como ser um cristão autêntico sem que você seja notado no pensar, no falar e no agir diante dos outros. O ponto é: no cristianismo devemos aparecer e ao mesmo tempo desaparecer continuamente. E ao falar sobre gente de destaque, eu logo penso em João Batista.
Quando Jesus começou seu ministério, João Batista perdeu seus discípulos para o próprio Senhor. João 3.26 diz: “ estão se dirigindo a ele”. Porém, o próprio Jesus diz que dos nascidos de mulher, somente o “menor no Reino dos céus” é maior que João (Mt 11.11). Então, o que aprender com este homem tão pequeno e tão importante para desenvolver nossas vidas? Vejamos o texto de João 3.26-30
1.        Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado do céu” – Jo 3.27
João sabe que há um Deus sobre ele! Ao dizer que “do céu recebe as coisas”, ele está ciente dos seus limites e que recebeu tudo do próprio Deus.

2.        Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse : Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele. – Jo 3.28

João não esconde seu ministério dos seus discípulos! “Não sou o Cristo”, mas tenho meu papel a desenvolver diante dos homens.

3.        A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, que agora se completa. – Jo 3.29

João sabe quem ele não é! Ele não é o destaque da festa, mas, como amigo do noivo, deve serví-lo, estar satisfeito e se alegrar com aquele que realmente merece o destaque: o noivo.

4.        É necessário que ele cresça e que eu diminua. – Jo 3.30

João destaca: “É necessário”; “é preciso”; “é sobre Ele o tempo todo.”
João some: “É necessário”; “é preciso”; “Não é sobre mim o tempo todo.”

Pare aqui e pense: “O que passa no seu coração quando trabalha, quando serve, quando ensina, quando se dá?”; “o que você espera?” Coloque-se na condição de um mestre, de alguém que era seguido de perto, admirado. Talvez exista no seu coração desejo pela evidência, ainda que não de multidões. Se, ao viver como cristão, houver alguém sempre bajulando você, alguém que esteja “na sua mão” ou alguém que você, bem secretamente, goste de manter dependente, você pecou, você é um(a) egoísta de mão cheia e está fracassando. É na verdade um idólatra de si mesmo.
Como pais, líderes, professores, gente no mundo, a “tensão do destaque” é uma luta até o fim. Estar em evidência é necessário e ao mesmo tempo um grande perigo. Lembre o conteúdo claro da nossa mensagem, de jamais enganar aos outros, ter alegria quando os outros encontrarem-se aos pés do nosso Senhor, quando sua igreja se desenvolver e amar mais ao noivo do que você. Lembre-se sempre de destacá-lo, sempre exaltá-lo e, enquanto fizer isso, na mesma medida, suma, desapareça! É necessário.
Pb. Samir Moraes